13.1.16

De coração pra coração



Coração que palpita, desde o ventre de minha mãe não teve folga
Tanto trabalho teve nesses anos
Em meio a sua rotina cotidiana várias vezes sem aviso teve alterado o seu ritmo e seu espaço
Tantas vezes bateu acelerado
Tantas vezes se sentiu acoado dentro de um diafragma apertado
Tantas vezes desacelerou - algumas vezes quando eu tinha brochado pra vida
Tantas vezes saltou, subiu e desceu montanhas russas - as maiores do mundo
Tantas vezes bradou e se sentiu livre para voar
E voou...

Voou, partiu, sorriu, se encatou, apaixonou e apaixonou-se
Foi quando fez de si morada para aquele que tantos antes lhe avisaram ser fatal: o amor
E este fez o que de melhor sabe fazer: preencheu o coração
E não contente o amor também encontrou caminho de se fazer maior
E no entrame das entranhas plantou sua semente
E do amor um novo coração brotou no ventre

E começa assim outro ciclo, e por sorte e por amor
Outro coração que ainda há de sentir, acelerar, desacelerar, saltar, subir e descer
Assim continua a existir morada para o amor, vida após vida, de coração pra coração

Thais para Sean
Coração mãe para coração filho



25.5.15

Espaço Interno




Tenho espaço para todos os sentimentos

Aqui dentro é como um buraco negro
Tudo que entra, entra
Não se sabe onde foi parar
Mas em algum lugar está

Dentro dele, redemoinhos
Quando sopra o vento forte, bagunça tudo
Quem sempre amei posso odiar
E posso até colocar no pedestal quem só o que me fez foi pisar

Delírios de amor se esvaem em suspiros


Uma paixão não vivida mofa num canto esquecido

Por que tive tanto medo?
Hoje vejo que tudo é simples e de algumas coisas nenhum ser humano pode fugir.
Por isso viva.

Tudo cabe nesse peito
Um espaço guardado também tenho para as perdas vindouras
Pois a vida não será sempre só esse monte de vida
Vem a velhice, senão minha a de meus entes queridos
Vem a fraqueza, inerente ao tempo que é inerente ao homem

Chega um ponto em que não se fica mais belo
Um momento em que você não vai ficar mais forte do que um dia já foi
No seu destino há um ápice
Depois de chegar lá não se pode subir mais
Vou tentar ficar lá o máximo possível,  na estabilidade de seu ápice
Só que uma parte de mim já tem espaço para quedas
Um dia desses só me restará aprender a cair

Guardo espaço para o definhamento
De peles, músculos, rins, pulmões,
De amores, desejos, sonhos jovens, paixões

Um espaço intocado?
O da esperança de que tudo fará sentido no final
Do início, ao ápice, ao final.

1.11.13

Como não viver



Não se pode viver com medo
Ele que se aproxima como um suspiro
Um sussuro aos ouvidos
Depois que consegue permear na mente
Ocupa a frente das lentes, retinas
Tudo que se aproxima ameaça
Tudo que parte leva alguma parte
E parte...
Nos sonhos escurece as luzes
Tragédias gregas adaptadas à sua simples realidade atormentam
Tudo é motivo para um tango argentino
Me encolho como felino ferido
Ataco se sinto ameaçado
Parto do medo
Não se pode viver assim